Quem fica com as fatias do bolo?
Como
qualquer nome comprido, o Fundo Especial de Financiamento de Campanha (FEFC)
logo passou a ser conhecido apenas como Fundo Eleitoral. Criado em 2017, foi um
dos reflexos da Operação Lava-Jato, visando evitar doações de empresas para
campanhas políticas e a óbvia influência de empresários sobre os candidatos
eleitos.
A distribuição dos R$ 4,9 bilhões do Fundo
Eleitoral leva em conta o número de deputados e senadores de cada partido. É
por isso que o União Brasil (UNIÃO), junção dos antigos DEM e PSL, sendo o
maior, é também o mais rico. De acordo com relatório disponibilizado, dia 15,
pelo Tribunal Superior Eleitoral (TSE), em 2022 receberá R$ 782 milhões. Na
sequência estão o Partido dos Trabalhadores (PT), com R$ 503 milhões, Movimento
Democrático Brasileiro (MDB), R$ 363 milhões, Partido Social Democrático (PSD),
R$ 349 milhões e o Progressistas (PP), com R$ 344 milhões. Esses cinco têm 47,24%
do Fundo, enquanto outras 17 siglas dividem 52,76%. Os 10 partidos restantes,
incluindo a Rede Sustentabilidade (REDE), de Marina Silva, não atingiram os
requisitos mínimos para participar do bolo.
A
receita do velho e do Novo
O Partido Novo (NOVO) teria direito, mas
renunciou ao Fundo Eleitoral e a verba será repassada ao Tesouro Nacional.
Trata-se de um argumento a ser explorado na campanha eleitoral. Talvez queiram
relacionar a prática com o que se faz nos Estados Unidos, onde o candidato tem
direito à verba, mas ela raramente é utilizada. Quem sabe, né?
De
acordo com o Instituto Internacional pela Democracia e Assistência Eleitoral
(IDEA sigla em inglês), a Alemanha tem o melhor modelo. Lá, para cada euro
doado ao partido, o Estado acrescenta 38 centavos, incentivando as siglas a
estreitarem laços com o eleitorado. Além disso, cada voto recebido equivale a
70 centavos de financiamento público para as eleições seguintes.
No Brasil, a atividade popular mais comum
nos partidos é a disponibilização de cursos gratuitos, visando a formação de
novos políticos. Mas apenas isso será suficiente para mobilizar a população em
torno dos ideais de cada sigla? O PSDB, por exemplo, tem o Instituto Teotônio
Vilela só para isso, mas os tucanos encolhem há anos. Por outro lado, o União
Brasil não utiliza essa estratégia e vai receber a maior parte do Fundo
Eleitoral. Na festa da democracia, só mesmo o resultado das eleições para
definir qual receita faz o bolo mais gostoso.
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