Liberdade de agressão?

O senador Marcos do Val (Podemos) foi hostilizado enquanto caminhava na orla de Vitória, Espírito Santo. No vídeo viralizado no último dia 25, um homem segue o político enquanto fala: “Você é a maior vergonha da história capixaba. É a vergonha do país e do estado. Você tem que tratar não é o coração, não. É a cabeça. Vai nessa, meu irmão. Foge mesmo, meu irmão. Você é burro. Você é a maior fake news que tem”. Trata-se de uma ocorrência semelhante à registrada com Alexandre de Moraes, ministro do Supremo Tribunal Federal (STF), que em viagem com sua família à Itália, foi hostilizado por brasileiros. Segundo investigação da Polícia Federal, além de ofensas verbais, o caso incluiu até mesmo agressão física do filho do ministro.
Pois
é, pragas de uma época em que todo mundo tem no celular o acesso a toda a
sabedoria produzida pela humanidade, mas que parte da população usa o aparelho
para vomitar ódio. Coisas de uma época em que sobra gente precisando de terapia,
mas falta dinheiro para pagar o tratamento.
Compreende-se que o povão nunca teve grande simpatia pelas autoridades, mas tudo tem limite. Infelizmente, muita coisa na Constituição ainda não é respeitada, mas andar na rua sem medo de ser agredido é um direito básico para que qualquer brasileiro.
Respeito é bom e todo mundo gosta
O
problema das leis é que, apesar de filtros como as votações na Câmara e no
Senado, sem falar na possibilidade de veto do presidente, tudo depende da
capacidade de articulação política e também do senso de oportunidade dos
parlamentares em captar o que o eleitorado quer no momento. É aí que, na
tentativa de “surfar na opinião pública”, uma lei pode ser criada como forma de
legalizar medidas questionáveis. Um exemplo inofensivo disso foi o decreto de
Getúlio Vargas, em 1940, proibindo as mulheres de jogar futebol. Entretanto, o
mundo é cheio de lições sobre como coisas aparentemente despretensiosas podem
se tornar graves e essa é uma das acusações da oposição ao tal “Pacote da
Democracia”, proposto por Lula.
Na
realidade, fica aquele papinho de sempre: quem está de um lado defende o seu ditador
de estimação, os do outro lado defendem os políticos deles e só o “pessoal de
lá” comete erros. Enquanto isso, o pacotão de propostas, que inclui a
possibilidade de prisão de até 40 anos para quem atentar contra a vida do
presidente do país, seu vice, além dos presidentes do Senado, Câmara, ministros
do STF e do procurador-geral da República segue para análise no Congresso
Nacional.
Ainda
vai muito tempo até essa novela ter o seu capítulo final, mas a coisa é
simples, foi ensinada desde os tempos da escola, mas nem todo mundo aprende:
respeito é bom e todo mundo gosta, não é? Democracia não é poder fazer
absolutamente tudo o que se deseja, e isso vale para todos. Às vezes, até mesmo
o óbvio precisa ser explicado.
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